terça-feira, 9 de junho de 2009

O macaco e o grão de milho

O macaco estava trepado no galho com uma espiga de milho na mão. O vento soprou e jogou um grão de milho no oco de um pedaço de pau. O macaco desceu da árvore, foi lá e disse:
- Ô pedaço de pau, dá meu grãozinho de milho agora mesmo!
O pedaço de pau respondeu:
- Não enche!
- Ah é? - gritou o macaco. E foi falar com o machado.
- Ô machado, corta o pedaço de pau que não quer devolver meu grãozinho de milho.
O machado respondeu:
- Corto coisa nenhuma!
- Ah é? - gritou o macaco. E foi falar com o fogo.
- Ô fogo, quima o machado, que não quer cortar o pedaço de pau, que não quer devolver meu grãozinho de milho.
O fogo respondeu:
- Vá te catar!
- Ah é? - gritou o macaco. E foi falar com a água.
- Ô água, apaga o fogo, que não quer queimar o machado, que não quer cortar o pedaço de pau, que não quer devolver meu grãozinho de milho.
A água respondeu:
- Não apago não!
- Ah é? - gritou o macaco. E foi falar com o boi.
- Ô boi, bebe a água que não quer apagar o fogo, que não que queimar o machado, que não quer cortar o pedaço de pau, que não quer devolver meu grãozinho de milho.
O boi respondeu:
- Não chateia!
- Ah é? - gritou o macaco. E foi falar com o açougueiro.
- Ô açougueiro, mata o boi que não quer beber a água, que não quer apagar o fogo, que não quer queimar o machado, que não quer cortar o pedaço de pau que não quer devolver meu grãozinho de milho.
O açougueiro respondeu:
- Vá ver se eu estou na esquina!
- Ah é? - gritou o macaco. E foi falar com a mulher do prefeito.
- Ô mulher do prefeito, manda prender o açougueiro, que não quer matar o boi, que não quer beber a água, que não quer apagar o fogo, que não quer quimar o machado, que não quer devolver meu grãozinho de milho.
A mulher do prefeito nem prestou atenção.
- Ah é? - berrou o macaco. E foi falar com o rato.
- Ô rato, por favor, vá roer a roupa da mulher do prefeito, que não quer mandar prender o açougueiro, que não quer matar o boi, que não quer beber a água, que não quer apagar o fogo, que não quer quimar o machado, que não quer devolver meu grãozinho de milho.
O rato respondeu:
- Tudo bem!
O macaco procurou a mulher do prefeito e avisou que o rato já vinha vindo roer suas roupas.
Foi quando a mulher do prefeito imaginou suas lindas saias rasgadas e roídas. Assustada, mandou prender o açougueiro, que saiu para matar o boi, que abriu a boca para beber a água, que correu para apagar o fogo, que foi quimar o machado, que achou melhor cortar o pedaço de pau, que, sem ter outra saída, devolveu o grãozinho de milho para o macaco comer.

5 comentários:

  1. Oi Juliana,

    fiquei surpresa ao ler esta história. Estava justamente procurando uma referencia para esta historia que fez parte de minha infancia e agora faz parte da infancia de minhas filhas. Minha avó me contava um pouco diferente, mas o contexto é o mesmo. Estou pesquisando porque queria saber quem é o autor ou de onde ela veio. Como vc conheceu esta história??? Tem alguma referencia???
    Obrigada,
    Até
    Joci Carla
    jogallafrio@gmail.com

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  2. Desculpa não sei quem é o autor. Mas graças a vc eu pude reler uma coisa que também faz parte da minha infância. Obrigado. Tudo de bom pra vc

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  3. A MINHA PROFESSORA MANDOU EU COPIA ESSE TEXTO MAS AI EU PEDIR PARA MINHA PROFESSORA DECHA EU COPIA EM CASA DAI ELA DECHOU MAIS AGORA 16:00 HORAS DO DIA 21/02/2013 ,FUI TOMAR BANHO PARA PODER COPIA O TEXTO AI AGORA FUI COPIA O TEXTO E PECEBI QUE O TEXTO ERA MUITO GRADE MAS NAO ENTEDI SABE PORQUE QUANDO MINHA PROFESSORA LEU PARECIA SE BEM PEQUENO AVE QUE TEXTO GRADE ....

    JOYCE SANTOS FLAUZINO
    BEIJOS CHAU.

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  4. Estava procurando este texto há meses. Meu pai costumava contar para mim na minha infância. Obg. Abraços

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  5. Um antigo contador de história (o singularíssimo Elias) contou-nos (a mim e a meus irmãos) essa história há mais de trinta anos. Talvez exagero, mas era melhor que a tv de hoje. Sua superlativa singularidade se dava por ser capaz, sem muito esforço, de atravessar a noite contando uma após outra sem se repetir, exceto a pedido. Nós viajávamos naqueles reinos encantados de gigantes, fadas e heróis de tal modo que era suavemente exercitada a nossa fértil imaginação de criança, isto é, o que de melhor há no homem e não o ódio, a avareza, a violência, a prostituição (GTAs), o assassinato que a maioria dos "games" hodiernos suscitam em nossas crianças e adolescentes, isto é, o que de pior há no homem.
    Foi tentando proporcionar a meu filho uma infância, pelo menos semelhante a minha, que desde os seus três anos de idade (hoje com oito) reconto, essa em particular, exatamente como nos contava o agora já velho Elias - um pouco diferente desta narração, obviamente, mas com o mesmo tema e princípio.
    Eu e meu filho costumamos desligar tudo, tv, computador, rádio e o que mais tiver... forrar um pano na rampa que dá acesso ao quintal e ali à suave brisa da fresca noite olhando as estrelas, sonhamos. Ah, e ele ama!
    Quem é o autor? Também não sei. Provavelmente extraída de alguma literatura de cordel... Enfim. Não sabemos ao certo quem é o autor. Mas não resta dúvida de quem é a autora: certamente a índole humana na sua simplicidade edênica quase pura que sinaliza para as almas sóbrias que alguma coisa está errada na direção que a humanidade está tomando.

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